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Para Ler na Retrete

Para Ler na Retrete

Parlamento dos Segredos

Dia 6 de Outubro, vão acontecer novas eleições legislativas. Calma, não desistam já. Apesar de o tema estar relacionado com política, eu prometo ajavardar o assunto. Prometo que não se vão arrepender. Prometo cumprir as promessas, é algo que vão ouvir muito até dia 6.
O problema é o seguinte: a taxa de abstenção é muito elevada no nosso país. Isto representa claramente um descontentamento do povo com a classe política e a perda de esperança dos portugueses numa liderança legitima e adequada. Representa também algum desconhecimento do significado de não votar. Apesar de pessoalmente achar que nenhuma daquelas pessoas tem capacidade para estar à frente de um país e que alguns deles merecerem uma visita rectal de um cavalo excitado, gosto de viver numa democracia. Gosto de ter a opção de voto ao invés de ser um pião nas mãos de um ditador que, de hoje para amanhã, pode implementar uma lei qualquer como circuncisão obrigatória. Mesmo que seja uma falsa democracia e esta visão de escolha não passe de ilusão óptica, ainda assim prefiro uma falsa democracia a uma ditadura real. Como não quero ninguém a dissecar o meu pénis com o selo de aprovação do estado, escolho votar mesmo que em branco.
Sendo nós portugueses, precisamos de um incentivo apelativo para o voto. Precisamos de saber que, o nosso voto vai, de facto, contribuir para algo palpável e real. Algo que não seja mais um número ou estatística aborrecida que mais parece uma promessa distante e fria que nunca chega. Tuga que é tuga tem um mérito pouco falado ou pelo menos mal interpretado. Tuga que é tuga, vota pela justiça e dignidade de competição em reality shows. Na minha opinião, a solução é a seguinte: precisamos de instaurar de imediato uma casa dos segredos no parlamento. Parlamento dos segredos.
Todos os deputados e devidos assessores trancados no parlamento, com acesso a piscina, a serem filmados 24 horas por dia num canal especial do programa e, resumos diários na TVI com a Teresa Guilherme. Ou outra múmia com maquilhagem, tanto faz. Para isto acontecer, em primeiro lugar, o campo tem de estar igualmente populado de Homens e Mulheres. Esta parte já não era sem tempo. Estes têm os seus debates semanais, como é costume mas, fora desse âmbito terão outras actividades lúdicas que vão testar skills sociais, de liderança, relacionamentos pessoais e outros momentos de apenas diversão, enquanto ao mesmo tempo fazem campanha eleitoral.
Ninguém sai desiludido ou a perder. Os fãs deste formato televisivo, continuam a ter a sua sobremesa. Continua a ser tempo de antena a Homos pouco Sapiens a fazerem coisas pouco dignas e a terem conversas com pouco sentido. Quem gosta de política continua a ter a sua masturbação intelectual por tempo alongado, para se poder gabar em reuniões de empresa sobre o quão ligado à actualidade política está e quão influente no futuro do país é. A malta das juventudes partidárias pode acompanhar os seus veteranos a tempo inteiro e aprender mais sobre como falir e afundar um país, como comunicar com banqueiros quando há escutas e até como engatar uma deputada. Quem se está a cagar para tudo isto e tem a televisão ligada para ocupar o espaço onde era suposto estar o cérebro, ou seja, para os idosos com demência, continua a haver barulho de fundo.
Os debates semanais vão ter outra magia. A mistura poética entre a política nacional e a vida na casa. Estou a imaginar Assunção Cristas a debater com António Costa. António Costa diz algo do género: "Senhora deputada, a sua proposta de reforma do sistema de ensino é muito fraquinha e, sinceramente uma vergonha para Portugal" ao que responde Assunção "Não me faça falar senhor primeiro ministro, pois o seu plano para melhorar os transportes neste país tem menos robustez que a sua erecção tinha ontem à noite. E mais, não vale a pena prometer que vai baixar os impostos. Toda a gente sabe que isso é mentira pois o senhor é pior a mentir do que a fazer sexo oral!"
Eu pessoalmente via este programa.

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Mecânicos e técnicos informáticos

Tenho saudades das boas e velhas oficinas. Hoje em dia, com a evolução da indústria automóvel e formação de empresas de reparação e vendas de peças de veículos como a Norauto ou a Roady, há jovens que nunca vão saber como é ser devidamente tratado neste ambiente tão corriqueiro e único. À pouco tempo fui a um destes novos estabelecimentos. Na entrada existe uma recepcionista que nos cumprimenta de imediato. Achei estranho mas não comentei nada e continuei. Ao apresentar a minha situação, pediram-me os dados do carro, apresentaram o valor da mão de obra à hora e, caso fosse necessário algo extra, não avançam sem antes falar comigo. Não vi um calendário da Playboy, estavam os mecânicos todos concentrados a trabalhar, ninguém estava de pastilha elástica na boca, usavam luvas... uma vergonha. Nunca mais lá voltei.
Por sorte, tenho um tio que tem uma oficina. Fui então ter com ele para apresentar o problema do meu carro. Se nunca foram a uma oficina privada típica, façam esse favor a vós próprios. Garanto que vale mais a pena que este texto.
Ao entrar na oficina, há carros, motas e jipes por todo o lado, geralmente com o capô aberto e, num deles, o primeiro sinal de humanidade é um rego do cu, dobrado sobre um motor. Para sermos atendidos, damos o "Bom dia" ao som de um megafone, para sermos ouvidos. É aí que o mestre nota que tem clientes. Levanta-se, limpa as mãos a um pano coberto de óleo, mantendo-as exactamente iguais e apresenta-nos o antebraço para cumprimentar.
- Então, há azar? - Esta é sempre a frase de inicio do atendimento. É sucinta, geral e não mói ninguém com detalhes do livrete.
- O carro anda a fazer um barulho estranho já à dois ou três dias.
- Abra aí o capô para ver isso. - A partir daqui, o problema é sempre um de duas opções completamente distintas e que não se cruzam de forma nenhuma. Oh amigo, isto ou é o radiador que está a dar o berro, ou então tem um gato morto no escape. Agora para descobrir, só investigando e a por o carro a trabalhar é que percebo.
- E quando é que pode ver disso?
- Isto agora está complicado, só daqui a duas semanas. Tenho ali aquele Fiat duma gaja que partiu a caixa de velocidades; tenho aqueles dois jipes de uns putos que foram para o meio do campo e lixaram tudo, mas os pais são ricos por isso pagam bem; e ainda tenho esta carrinha que é duma professora do meu puto, bem boa a gaja, que levou uns airbags novos à pouco tempo e agora, é capaz de arrancar dois ou três dentes a alguém com uma chapada de mamas.
- E acha que isso é capaz de ficar caro?
- Epá, olha que eu acho que ela não é dessas. Acumular ensino com, digamos, pinocada à hora é capaz de ser demasiado. Mas se eu tivesse de adivinhar, eu diria que é capaz de levar à volta de duzentas balas à hora. Não me parece que aquela fruta toda seja barata.
- Não, estava a perguntar sobre o arranjo do carro. Acha que fica muito caro?
- Ah, pois isso não sei. Mas não se preocupe que agente depois acerta contas.
Sem orçamento, sem bom dia, sem maneiras e, se for preciso, ainda nos mandam para certo sitio por não percebermos o suficiente do que andamos a conduzir.
Mas eu percebo que os tempos estão a mudar. Estamos na época em que nós, jovens que mexem cada vez mais com material informático, temos de retribuir o caloroso tratamento que fomos recebendo pelos nossos séniores. No meu caso, eu trabalho num local onde se vende e repara material informático. Muitas vezes, quando necessário, vou ajudar também nas reparações. E adivinhem quem aparece lá porque o computador bloqueou ou porque a impressora não imprime?
- Então que se passa com a máquina? - Pergunto ao ver o mestre da oficina a pousar uma impressora ao balcão.
- Epá, desde ontem que isto não me imprime nada. Começa a fazer os barulhos todos como se estivesse a funcionar normalmente, mas depois nada.
- Deixe ver isso. - Neste momento já percebi exactamente o que se passa mas, não quero ser mal educado e resolver tudo no momento. Olhe isto ou tem os tinteiros estragados ou entrou um bocado de pão para o mecanismo.
- Eu realmente na semana passada estava a comer uma sandes enquanto imprimia uns orçamentos.
- Pois, isto agora só abrindo para ver. Mas não lhe consigo fazer isso já. Tenho ali dois portáteis para formatar de miúdos que vão começar os exames no mês que vem; tenho um telemóvel para limpar e aplicar capa de um senhor que o comprou ontem; e tenho também um disco para copiar daquela professora do teu puto que tinhas falado. E sim, realmente é bem boa.
- E em questão de preços?
- Eu concordo contigo, acho que ela não faz mais que ensinar, com muita pena minha. Mas abaixo dos trezentos à hora, acho dificil. Aquilo é muita fruta.
- Não, estou a falar do arranjo da impressora.
- Ah, depende do que for. Mas não te preocupes, deixa-a cá que depois acertamos contas.
Neste momento estou à espera de saber quanto é o arranjo do carro para decidir quanto vai ser o arranjo da impressora.

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Ode aos seios

A curva mais bela de uma mulher é o sorriso.
Tal frase jamais foi credível
Mesmo com todos os dentes do siso
Um belo par de mamas tem outro nível.
 
Aquele pedaço carnal mais apetecível
Ao qual todos os olhares chamam lar.
Durante o coito é impossível
Não ter vontade de as lambuzar.
 
E saltam e ressaltam para cima e para baixo
E pulam e alongam ao som do contrabaixo.
Causadoras de alegria, causadoras de excitação
Causadoras de embaraço a quem não consegue esconder uma erecção.
 
Mais belas ainda ao correrem em câmara lenta.
O soutien desportivo bem tenta
Mas essa copa duplo D
Qualquer elástico rebenta.
 
Não há obra de arte mais bela e,
Que deva ser melhor tratada!
Porque seja portuguesa ou estrangeira
Só elas fazem uma espanholada.

Somos todos psicopatas

A minha cabeça é um bairro perigoso. Juro que estou a um esgotamento de me tornar psicopata e fazer uma limpeza à moda americana (se bem que no pingo doce não há espingardas à venda). Na verdade, acho que a maior parte das pessoas adultas estão neste modo. Penso que é um mal geral pensar em psicopatices diariamente e ninguém escapa a isso.
Começando por quem tem filhos. Eu pessoalmente não tenho e, mesmo assim, de vez em quando penso em arranjar um paninho com clorofórmio para calar dois ou três putos a fazer demasiado barulho. Imagino esses heróis que estão diariamente expostos a "quem diz é quem é" e "cheiras a cócó vezes infinitos". Tenho a certeza que qualquer pai ou mãe todos os dias visita o google maps para ver qual a zona dos arredores da cidade mais apropriada para deixar um puto. Uma zona onde ninguém oiça os gritos e a berraria porque "ele usou os meus lápis sem pedir". Acho que ainda não estou pronto para ser pai.
As Mulheres a mesma coisa. Mais uma vez, não sou mulher, mas penso que este raciocínio é cristalino. Não tenho a menor dúvida que mulheres por esse mundo fora não pensem todos os dias "diz lá outra vez para eu ir para a cozinha que já vez o que acontece". Já agora fica a nota para todos os proprietários de pénis: parem de as mandar para a cozinha. Não digo isto por ser machista mas porque a cozinha é a divisão da casa com mais objectos que podem ser utilizados como arma. Facas são às dezenas. Garfos espetados no braço, também ouvi dizer que aleijam um bocadinho. Até uma colher, com jeitinho dá para sacar um olho. Se querem continuar a ser burgessos (característica que apoio), mandem a mulher por a roupa a lavar ou assim. O pior que pode acontecer é serem enforcados com uns boxers ligeiramente manchados por causa daquela travagem repentina de quando o velho se atravessou à vossa frente na rotunda.
Os Homens a mesma coisa. Regra geral, cada vez que uma mulher chega a casa e começa a contar como correu o trabalho, a mente masculina começa de imediato a equacionar quando custa uma pá, onde se compra e será que a gasolina no depósito chega para ir e voltar. Até porque os desabafos do dia das mulheres são sempre iguais. Há sempre uma colega, que na história é referida como "aquela puta", que fez uma merda qualquer que na verdade não é assim tão grave mas não o podemos manifestar. Caso contrário passamos a ser nós os maus da fita. "Então não é que aquela puta hoje, em vez de tirar as fotocópias de ambos os lados, usou apenas uma página de cada folha?!" E o nosso actor interior vem ao de cima: "O quê?! Não pode ser! Porque raios é que ela ainda lá está a trabalhar?" É claro que neste momento há várias opiniões de senhoras a ler isto (assumindo que mais que uma o faz). Há aquelas que estão a abanar a cabeça como sinal de protesto e a chamar-me misógino. Até aqui, tudo bem. E há aquelas que estão a pensar na sorte que têm por ter um namorado ou marido que é, de facto, um bom ouvinte e não faz estes teatros. A esta fatia queria pedir que respondam ao seguinte: qual o é o tamanho da copa dos vossos soutiens? De C para cima ou B esmagado contra o peito não conta. Isto porque enquanto estão a desabafar, o vosso Homem está a jogar ao sério com as vossas mamas. E provavelmente a perder.
Por fim, os mais perigosos da sociedade e os mais vocais: idosos. Isto é gente que só anda à solta porque não têm energia para cumprir o que prometem. Não há como viver sem ser ameaçado por um velho. Eu juro que me lembro de ouvir o meu avô uma vez a insultar uma miúda por atravessar a passadeira. Realmente estava a pedi-las. Todos os dias, cada vez que pego no carro, temo pela vida sempre por causa de um velho que em vez de parar num cruzamento, como não tem força nas pernas para fazer o ponto de embraiagem, deixa o carro a abrandar e, sem se aperceber, está a ocupar metade da minha via. Ou uma velha que vai sair na quinta saída da rotunda mas insiste em ir sempre na via de fora a fazer pisca para sair. E não há como chamar a atenção porque ainda levamos com as culpas e possivelmente uma bengala na cabeça.
Eu peço por favor, a todos os criadores de Calcitrin, cogumelos do tempo e outras coisas que tenham como objectivo melhorar as saúde de idosos: por favor parem. Se esta gente começa a andar cheia de energia, acabamos todos como o Angélico. Tirando o BMW e a Rita Pereira.
Por hoje é isto. Vou dar uma corridinha para acalmar. Espero não encontrar nenhuma velha pelo caminho ou ainda oiço berros porque "os miúdos hoje em dia andam a correr na rua como uns selvagens". Enfim.

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A natureza é uma valente javardice

A natureza é linda não é? Quando pensamos na natureza, veem logo à mente imagens de planícies iluminadas pelo pôr do sol, golfinhos a saltar em alto mar, uma brisa a balançar levemente as plantas. A primavera em particular é uma espécie de culminar de toda esta beleza. Quando as árvores começam a ter flor. O frio desvanece e existe uma raio de esperança e calor no nosso dia, sempre que abrimos os olhos. Ouvimos os pássaros cantar, respiramos fundo para sentir o cheiro a lavanda quando de repente... um espirro. Outro logo a seguir. E um terceiro, tudo em cerca de 5 segundos. Os olhos começam a inchar e lacrimejar. A metade superior da cara arde. Neste momento, a função mais básica e banal do ser humano está comprometida. Respirar passa a ser um martírio. A única forma de obter oxigénio é pela boca. Para comer alguma coisa, passamos a ter de dividir o tempo entre mastigar e respirar. Os lábios ficam secos. Sendo isto incomodativo, de tempos a tempos, passamos a língua para os humedecer.


Montado todo este cenário, eis o maior deficiente de todos os tempos. Uma pessoa incapaz de respirar, a única tarefa que nunca foi preciso ensinar a ninguém, a lamber-se todo, olhos inchados e vermelhos sem o proveito da droga e a assoar-se alto o suficiente para interromper qualquer concerto. Diz-se que mais de 30% da população portuguesa sobre desta alergia (ao pólen), fazendo dela uma das doenças mais frequentes da actualidade.


Mas o que é isto na verdade? O pólen são grãos que, nesta altura do ano, são libertados pelo sistema reprodutivo das plantas. Leram bem. Isto não é uma doença. Na verdade vieram-se para a nossa cara. É isto que acontece. Estas porcas, em vez de usarem um lenço de papel como qualquer homem, decidem praticar a técnica do coito interrompido.


Isto não se admite a mais nenhum ser vivo. Mesmo entre humanos, em alguns vídeos que tenho visto, só acontece porque há alguém a voluntariar-se para isso. Quer dizer, eu sem querer sujo os lençóis e é um escândalo, mas as plantas podem fazer um tratamento facial à população inteira que a malta toma uns anti-histaminicos e está tudo bem. Eu pessoalmente nunca mais fui acampar. Não consigo estar a comer uma sandes rodeado de seres a olharem para mim enquanto esfregam o tolas. Nem é higiénico.


Saber disto deixou-me alerta. Até porque não é só nas plantas que a actividade sexual incomoda. A palavra cricrilar diz-vos algo? Cricrilar refere-se ao som produzido pelos grilos. Apenas os machos produzem este som com o objectivo de avisar quando se aproxima um predador ou para chamar a atenção das fêmeas. Isto não é um insecto, é um mitra quando sai à noite com amigos. Ou faz barulho para tentar intimidar os outros, normalmente com a pergunta "Tás a olhar para onde?" ou "Queres o quê, tu?", alto para os amigos se aperceberem, mantendo as suas costas quentes; ou então tentar chamar a atenção das fêmeas normalmente cricrilando coisas como "És bué linda, sabias?" ou "Queres dar uma volta no meu corsa todo quitado?".


Mais uma vez isto só é admitido aos grilos. Se às 4 da manhã, alguém estiver a fazer uma festa no meu prédio para chamar miúdas, ou me convidam ou a festa acaba. Mas em relação aos grilos já é permitido.
A natureza é isto. Sémen nos olhos e engate de madrugada. Deixem as pessoas dormir.

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