Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Para Ler na Retrete

Para Ler na Retrete

A bela, o monstro e o cavalo

          Era uma vez uma princesa chamada Madonna. Uma menina com cabelo de seda de ouro que em conjunto com a sua voz delicada e esculpida dos mais raros e preciosos sons da natureza, encantava qualquer homem e era invejada por qualquer mulher. Uma menina cheia de talentos e fortunas. Uma menina com uma carreira musical que passa os trinta anos e que desde à uns tempos para cá, veio a Portugal e desde então não se fala de outra coisa. Uma menina que, tendo em conta a sua idade actual, já não é bem uma menina. Ela nunca teve muito. Apesar do que muitos dizem, os milhões de dólares não são suficiente para a aquecer à noite. Mas nunca desiste! Parar é morrer! Como tal, a nossa heroína continua a percorrer o mundo em busca de inspiração e coisas novas para incorporar na sua arte. Foi então que, à cerca de seis meses, deu de caras com o nosso país em mais que uma visita. A sua vida mudou. O sangue latino, os bigodes farfalhudos, o hábito de cuspir para o chão, as chouriças de Monsaraz, os galos de Barcelos, a corrupção e constante falir de bancos, a citação da bíblia em decisões jurídicas, o fado e a saudade, arrebataram completamente o coração da princesa. Nunca teria avistado nada assim. Havia um conforto no clima desta terra que as palavras não se atreviam a tentar explicar.


          No seu esconderijo, bem confinado na limitação da sua autarquia, um monstro chamado de Basílio Horta conspirava. Na sua posição repugnante de presidente da câmara de Sintra, muitas decisões dependiam da sua palavra.  Pensar no povo, pensar no futuro e nas consequências é algo difícil de executar e mais ainda de manipular. Mas este monstro sabe o que faz e, a sua oportunidade para semear o mal chegou.


          A nossa princesa num novo projecto intitulado de Indian Summer, quis demonstrar o sentimento de aconchego adquirido neste paraíso distante. Como tal, decidiu filmar um vídeo num palacete de Sintra que incluía um Cavalo deitado a interagir com ela. Palacete esse cujo rés de chão tem uma estrutura frágil que não é a mais segura. Neste momento há sonhos a tornarem-se realidade. A perspectiva de uma demonstração de afecto e arte para o mundo. A aparição a nível mundial numa peça deste calibre faz brilhar os olhos do cavalo. Mas a maldade de Basílio não tem limites. Este analisou cuidadosamente o pedido para a gravação e, para surpresa de todos, permitiu tudo menos a entrada do animal na infraestrutura. E assim despedaçou a fantasia. Uma oportunidade única e uma porta para a fama e sucesso, fechada e selada com o carimbo oficial da Câmara.


          Neste momento todos os jornais falam da desilusão de Madonna com Portugal por lhe ter sido negada a autorização de colocar um animal num palacete que podia quebrar a qualquer momento e causar danos graves a todos. No entanto, ninguém pensa no pobre cavalo que trabalhou a vida toda para este momento. Horas e horas de ensaio a aperfeiçoar a sua arte para nada. É triste. Da minha parte deixo os meus sentimentos a este mártir das vigas de madeira. Talvez o senhor presidente tenha levado a expressão "deitados no chão a interagir" para outro plano. Não sei. Talvez se houvesse um colchão bem fofo a decisão fosse diferente. #SomosTodosoCavalodaMadonna