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Para Ler na Retrete

Para Ler na Retrete

A natureza é uma valente javardice

A natureza é linda não é? Quando pensamos na natureza, veem logo à mente imagens de planícies iluminadas pelo pôr do sol, golfinhos a saltar em alto mar, uma brisa a balançar levemente as plantas. A primavera em particular é uma espécie de culminar de toda esta beleza. Quando as árvores começam a ter flor. O frio desvanece e existe uma raio de esperança e calor no nosso dia, sempre que abrimos os olhos. Ouvimos os pássaros cantar, respiramos fundo para sentir o cheiro a lavanda quando de repente... um espirro. Outro logo a seguir. E um terceiro, tudo em cerca de 5 segundos. Os olhos começam a inchar e lacrimejar. A metade superior da cara arde. Neste momento, a função mais básica e banal do ser humano está comprometida. Respirar passa a ser um martírio. A única forma de obter oxigénio é pela boca. Para comer alguma coisa, passamos a ter de dividir o tempo entre mastigar e respirar. Os lábios ficam secos. Sendo isto incomodativo, de tempos a tempos, passamos a língua para os humedecer.


Montado todo este cenário, eis o maior deficiente de todos os tempos. Uma pessoa incapaz de respirar, a única tarefa que nunca foi preciso ensinar a ninguém, a lamber-se todo, olhos inchados e vermelhos sem o proveito da droga e a assoar-se alto o suficiente para interromper qualquer concerto. Diz-se que mais de 30% da população portuguesa sobre desta alergia (ao pólen), fazendo dela uma das doenças mais frequentes da actualidade.


Mas o que é isto na verdade? O pólen são grãos que, nesta altura do ano, são libertados pelo sistema reprodutivo das plantas. Leram bem. Isto não é uma doença. Na verdade vieram-se para a nossa cara. É isto que acontece. Estas porcas, em vez de usarem um lenço de papel como qualquer homem, decidem praticar a técnica do coito interrompido.


Isto não se admite a mais nenhum ser vivo. Mesmo entre humanos, em alguns vídeos que tenho visto, só acontece porque há alguém a voluntariar-se para isso. Quer dizer, eu sem querer sujo os lençóis e é um escândalo, mas as plantas podem fazer um tratamento facial à população inteira que a malta toma uns anti-histaminicos e está tudo bem. Eu pessoalmente nunca mais fui acampar. Não consigo estar a comer uma sandes rodeado de seres a olharem para mim enquanto esfregam o tolas. Nem é higiénico.


Saber disto deixou-me alerta. Até porque não é só nas plantas que a actividade sexual incomoda. A palavra cricrilar diz-vos algo? Cricrilar refere-se ao som produzido pelos grilos. Apenas os machos produzem este som com o objectivo de avisar quando se aproxima um predador ou para chamar a atenção das fêmeas. Isto não é um insecto, é um mitra quando sai à noite com amigos. Ou faz barulho para tentar intimidar os outros, normalmente com a pergunta "Tás a olhar para onde?" ou "Queres o quê, tu?", alto para os amigos se aperceberem, mantendo as suas costas quentes; ou então tentar chamar a atenção das fêmeas normalmente cricrilando coisas como "És bué linda, sabias?" ou "Queres dar uma volta no meu corsa todo quitado?".


Mais uma vez isto só é admitido aos grilos. Se às 4 da manhã, alguém estiver a fazer uma festa no meu prédio para chamar miúdas, ou me convidam ou a festa acaba. Mas em relação aos grilos já é permitido.
A natureza é isto. Sémen nos olhos e engate de madrugada. Deixem as pessoas dormir.

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Poemas de Casa de Banho

Na casa de banho do café
Sentei-me para cagar
Ao fazer força e manter a fé
A luz apagou-se sem avisar.


Abanei-me todo sem me levantar
E novamente fiquei iluminado
Mas levantado, quando o rabo estava a limpar,
A escuridão voltou a deixar-me desolado.


Desta vez mexi apenas um braço,
Aquele que tinha o papel na mão
Acontece que, sem querer, sujei o meu blusão.


Agora já vejo e há merda em todo o lado.
Com os nervos à franja
E um enigma intrincado
Despi o casaco e sentei-me, renegado.


Aguardei por uma oportunidade
Para concluir a limpeza rectal
Mas estava a ficar impaciente
Devido àquele cheiro infernal.


Acabei o serviço e puxei o autoclismo.
Lavei as mãos e respirei fundo
Só queria sair do fundo deste abismo.


Ouvi alguém a entrar
Disse bom dia mas não obtive resposta.
Entrou na mesma cabine também para cagar,
Sem saber da minha recente bosta.


A má educação é um pecado fatal
Mas o Karma é uma força cruel!
Saí porta fora de cabeça levantada
Sabendo que aquela cabine não tinha papel.

Todos os policiais do mundo à portuguesa

          Atenção: todas as personagens e situações descritas seguidamente são puramente fictícias e não têm qualquer correspondência com a realidade.

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          Em plena luz do dia, à beira da estrada, um grupo do todas as etnias e idades vai pacatamente a andar quando se deparam com um corpo em cima de uma poça de sangue. Todos olham em descrença. Uma mãe tapa os olhos do seu filho enquanto duas miúdas guincham no mesmo tom dos concertos do Justin Bieber.
      Chegam os dois detectives ao local. Manuel, com mais de quinze anos de experiência em homicídios aproxima-se para fazer a primeira análise.
     - A vítima é uma mulher na casa dos quarenta anos. A causa de morte foi provavelmente violência física, daí os múltiplos hematomas na cabeça.
    - Nada disso - Intervém Fernando, alguém que nem formação policial tem e, apesar de trabalhar apenas como consultor, anda sempre de fato sem gravata e com dois botões da camisa por apertar para mostrar profissionalismo mas ao mesmo tempo passar uma imagem mais humana e com quem todos podem estar à vontade para falar todas à vontade para dormir - Na verdade a vitima morreu devido a um tiro na nuca. Não viste logo o buraco da bala?
         - Podes ter razão. Como é que me escapou essa?
       - Porque és uma merda de detective Manuel. O simples facto de teres emprego nesta área é o único mistério que ainda não consegui resolver.
        - Vejo que estás de bom humor hoje. Não queres usar essa ironia toda para ajudar com o caso? Ou seja que não tens mais nada a dizer sobre isto?
       - Repara como atiro os teus quinze anos de experiência pela janela: entre os dedos indicador e do meio, tem manchas amarelas, juntamente com dentes pouco brancos. Isto indica que era fumadora. A vitima tem também um contorno de pele mais clara no pulso. Isto diz-nos que usava relógio e que o nosso culpado provavelmente o levou.
         - Ou outra pessoa que reparou no corpo antes de nós chegarmos.
       - Está calado Manel e ouve uma vez na vida. Vês as raízes do cabelo? Recentemente pintou o cabelo de loiro. Além disso reparei também que usa um aparelho de audição. Levem isso para o laboratório e digam-me quando foi comprado e aproveitem para determinar a identidade da victima.
         - Mas agora és tu que mandas?
         - Tenho uma teoria. Mas se tiveres uma ideia melhor, estou à espera.
       - Estava a pensar em irmos almoçar ao snack-bar do costume, visto que esta loira até morreu aqui perto.
       - Ás vezes esqueço-me da razão pela qual és o grande detective que és. Vamos lá enquanto esperamos pelos resultados do laboratório.
 Neste momento passou cerca de hora e meia. Em qualquer outra parte do mundo, cientistas levam meses a desenvolver métodos de verificação de substâncias através de vestígios desconhecidos e testes de ADN entre outros processos complicadissimos. No entanto, há sempre um chinês que tem escondido num destes escafandros, maquinaria de alta tecnologia que permite chegar a conclusões pelas quais a CIA limpava meio mundo. Assim sendo, toca o telemóvel.
         - Fala comigo - Atende Manuel.
      - Através das nossas técnicas de laser 6D, conseguimos fazer uma reconstituição perfeita do rosto da vitima. Vou de seguida enviar-te algumas fotos de vários ângulos. O seu nome é Luciana, apelido Abreu. O aparelho auditivo foi comprado a dois quarteirões do sitio onde vocês estão neste momento. Envio-te de seguida a morada também. Ah é verdade, esse se fosse a ti comia esse cachorro com mostarda. Fica mesmo altamente.
       - Como é que sabes que estou a comer um cachorro? Acedeste às câmaras do snack-bar? Tens algum dispositivo num de nós?
         - Na verdade ele está à porta a olhar para nós. - Intervém Fernando.
         - Ah. Vamos lá então, temos trabalho a fazer.
      - Esperem. - Grita o chinês. - Encontrei algo que podem achar útil. Notem nestas fotos da vitima. Se repararem, as orelhas e o seu contorno estão ligeiramente inchadas. Há também veias salientes nessa zona. Isto indica que esteve sob sons muito altos com frequência.
         - Isto pode significar que trabalhava numa fábrica? - Supõe Manuel.
         - Nada disso. Pintou o cabelo de loiro, usava relógio que indica alguém constantemente atento às horas, fumava que geralmente é um método para lidar com stress, sons altos e constantes. - Fernando olha para o vazio enquanto se forma uma epifania na sua mente. - Manuel, vamos rápido.
         - E o meu cachorro?!
 Partem em alta velocidade, com a sirene ligada. Fernando conduz, exibindo técnicas que nenhum consultor da PJ no mundo tem e só mesmo alguns pilotos profissionais conseguem. O seu carro sai sempre impune, apesar de ter provocado dois acidentes entre cidadãos. Não interessa, eles que preencham a declaração amigável.
          - Chegamos!
          - O estúdio da SIC? - Manuel está confuso.
      Fernando parte por iniciativa própria. Ao passar três portas e dois corredores chegam ao destino. Um camarim.
          - Não pode ser. Tens a certeza? - Manuel está incrédulo.
     - Todas as peças encaixam. - Fernando pontapeia a porta. Cristina Ferreira, está presa pelo homicídio de Luciana Abreu.
          - MAS O QUE VEM A SER ISTO, MEU DEUS?! - sussurra Cristina.
          - Nós sabemos de tudo. - diz Manuel.
          - Na verdade não sabes um caralho, foi eu que desvendei tudo.
         Cristina aponta uma arma a Fernando em pânico. Manuel em resposta aponta também a sua a Cristina.
          - Vamos ter calma, não há nada que possa ganhar com isto. Baixe a arma. - Grita Manuel.
        - Eu percebo Cristina. - Fernando baixa a voz e levanta lentamente os braços. - É frustrante. Uma figura já conhecida, com a voz também centenas de decibéis acima do normal, cabelo pintado da mesma cor. Alguém igual a si mas com duas vantagens. Saber cantar e ter um par de melões maiores que os seus. Estava tudo encaminhado para ser substituída.
          - CALA-TE! NÃO SABES DO QUE FALAS!
        - Era só uma questão de tempo. Mesmo que ela não tivesse nada de interessante para dizer, não interessa. O povo português iria estar fixado nas meloas e não naquilo que ela diz. Não é justo, depois de tudo o que trabalhou para fazer este sucesso.
          - ELA IA ROUBAR-ME TUDO. NÃO É JUSTO.
        - Porque não baixa a arma e vem connosco? Nada de positivo pode surgir de me dar um tiro.
         Como todo o bom homicida, Cristina baixa a arma. Imediatamente Manuel algema a criminosa e mete-a dentro do carro, fazendo finalmente alguma coisa de útil.
         - A sério que és um génio e não consegues pensar em mais nada a não ser fruta para descrever as mamas da Luciana Abreu? - Pergunta Manuel.
          - Tenho mais em que pensar. Cala-te e conduz.

 

          Neste momento nunca mais precisam de ver um policial na vossa vida. São todos isto.