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Para Ler na Retrete

Para Ler na Retrete

Somos todos psicopatas

A minha cabeça é um bairro perigoso. Juro que estou a um esgotamento de me tornar psicopata e fazer uma limpeza à moda americana (se bem que no pingo doce não há espingardas à venda). Na verdade, acho que a maior parte das pessoas adultas estão neste modo. Penso que é um mal geral pensar em psicopatices diariamente e ninguém escapa a isso.
Começando por quem tem filhos. Eu pessoalmente não tenho e, mesmo assim, de vez em quando penso em arranjar um paninho com clorofórmio para calar dois ou três putos a fazer demasiado barulho. Imagino esses heróis que estão diariamente expostos a "quem diz é quem é" e "cheiras a cócó vezes infinitos". Tenho a certeza que qualquer pai ou mãe todos os dias visita o google maps para ver qual a zona dos arredores da cidade mais apropriada para deixar um puto. Uma zona onde ninguém oiça os gritos e a berraria porque "ele usou os meus lápis sem pedir". Acho que ainda não estou pronto para ser pai.
As Mulheres a mesma coisa. Mais uma vez, não sou mulher, mas penso que este raciocínio é cristalino. Não tenho a menor dúvida que mulheres por esse mundo fora não pensem todos os dias "diz lá outra vez para eu ir para a cozinha que já vez o que acontece". Já agora fica a nota para todos os proprietários de pénis: parem de as mandar para a cozinha. Não digo isto por ser machista mas porque a cozinha é a divisão da casa com mais objectos que podem ser utilizados como arma. Facas são às dezenas. Garfos espetados no braço, também ouvi dizer que aleijam um bocadinho. Até uma colher, com jeitinho dá para sacar um olho. Se querem continuar a ser burgessos (característica que apoio), mandem a mulher por a roupa a lavar ou assim. O pior que pode acontecer é serem enforcados com uns boxers ligeiramente manchados por causa daquela travagem repentina de quando o velho se atravessou à vossa frente na rotunda.
Os Homens a mesma coisa. Regra geral, cada vez que uma mulher chega a casa e começa a contar como correu o trabalho, a mente masculina começa de imediato a equacionar quando custa uma pá, onde se compra e será que a gasolina no depósito chega para ir e voltar. Até porque os desabafos do dia das mulheres são sempre iguais. Há sempre uma colega, que na história é referida como "aquela puta", que fez uma merda qualquer que na verdade não é assim tão grave mas não o podemos manifestar. Caso contrário passamos a ser nós os maus da fita. "Então não é que aquela puta hoje, em vez de tirar as fotocópias de ambos os lados, usou apenas uma página de cada folha?!" E o nosso actor interior vem ao de cima: "O quê?! Não pode ser! Porque raios é que ela ainda lá está a trabalhar?" É claro que neste momento há várias opiniões de senhoras a ler isto (assumindo que mais que uma o faz). Há aquelas que estão a abanar a cabeça como sinal de protesto e a chamar-me misógino. Até aqui, tudo bem. E há aquelas que estão a pensar na sorte que têm por ter um namorado ou marido que é, de facto, um bom ouvinte e não faz estes teatros. A esta fatia queria pedir que respondam ao seguinte: qual o é o tamanho da copa dos vossos soutiens? De C para cima ou B esmagado contra o peito não conta. Isto porque enquanto estão a desabafar, o vosso Homem está a jogar ao sério com as vossas mamas. E provavelmente a perder.
Por fim, os mais perigosos da sociedade e os mais vocais: idosos. Isto é gente que só anda à solta porque não têm energia para cumprir o que prometem. Não há como viver sem ser ameaçado por um velho. Eu juro que me lembro de ouvir o meu avô uma vez a insultar uma miúda por atravessar a passadeira. Realmente estava a pedi-las. Todos os dias, cada vez que pego no carro, temo pela vida sempre por causa de um velho que em vez de parar num cruzamento, como não tem força nas pernas para fazer o ponto de embraiagem, deixa o carro a abrandar e, sem se aperceber, está a ocupar metade da minha via. Ou uma velha que vai sair na quinta saída da rotunda mas insiste em ir sempre na via de fora a fazer pisca para sair. E não há como chamar a atenção porque ainda levamos com as culpas e possivelmente uma bengala na cabeça.
Eu peço por favor, a todos os criadores de Calcitrin, cogumelos do tempo e outras coisas que tenham como objectivo melhorar as saúde de idosos: por favor parem. Se esta gente começa a andar cheia de energia, acabamos todos como o Angélico. Tirando o BMW e a Rita Pereira.
Por hoje é isto. Vou dar uma corridinha para acalmar. Espero não encontrar nenhuma velha pelo caminho ou ainda oiço berros porque "os miúdos hoje em dia andam a correr na rua como uns selvagens". Enfim.

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